Prezados ouvintes,
Chegado ao meio do mandato, o governo federal lança um pacote econômico, objeto de muitas críticas, sobretudo da parte do mercado financeiro, que apresentou nervosismo extremo, a ponto de elevar o dólar a patamar histórico, nunca antes visto. O mercado, aliás, é sempre muito exigente, porque lhe interessa apenas o lucro, relegando a nada os programas sociais prometidos em campanha eleitoral.
O pacote, em si, é tímido, sem maiores conteúdos, tendo, como de costume, arrochos tributários, com a isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais. A tributação para quem recebe acima de cinquenta mil irritou muita gente. Claro! Os grandes desejam que os pequenos paguem a conta, e assim acontece.
O Próprio Ministro, ante a elevação vexatória do Dólar, já afirmou a possibilidade de emendas, de recuos, etc.
Há três Poderes Constituídos, sendo o Executivo o único a cortar gastos, impondo à população sacrifícios injustificáveis, como cortes na Saúde, na Educação, nos programas sociais, em nome do enxugamento da máquina.
Enquanto isso, o Judiciário e o Legislativo seguem seus rumos, ostentando as mesmas condições, sem corte algum. A grande pergunta é: por que apenas o Executivo corta aquilo que favorece as camadas mais populares? Por que reduzir investimento na Educação e na Saúde? E o décimo quarto salário dos privilegiados, por que não se excluem? Por que não se reduzem as mordomias, os lautos jantares e almoços, com os eventos nobilissimos, regados a fartura de finos vinhos, lagostas, pratos finos, às custas do suor dos pobres?
Os salários dos deputados, dos Senadores, dos Juízes e Desembargadores, ao invés de cortes, aumentam a cada ano… Por quê?
A resposta é inequívoca: o Congresso Nacional é quem determina os rumos do País, e seus integrantes não vão cortar suas vantagens; tampouco arriscam-se a cortar os exorbitantes gastos no Judiciário. Quem paga a conta, no fim das contas, é o povo, que não consegue fechar as contas de casa.
Em cada corte, sinal de morte ao povo, espada cortante que atravessa o peito!
O povo é sempre um detalhe, que importa somente no dia da eleição… No mais, tem de se sacrificar, porque vida de pobre não importa aos grandes! Os cortes destroem cada vez mais o povo. E, se alguém acenar qualquer corte nas benesses dos grandes, a ideia é logo rechaçada! Em todo e qualquer pacote, as consequências mais severas recaem sobre os pobres.
O governo, tentando apagar o incêndio da insatisfação do mercado, que nunca deseja suportar gastos com o social, fez um programa muito frágil, pequeno, tímido, sem incidências impactantes, capazes de oferecer segurança ao bloco econômico, que sempre se diz a classe produtiva.
Esperava-se bem mais! O mercado ficou nervoso, os pobres sofreram cortes, mas os outros dois Poderes, Legislativo e Judiciário, parecem estar em outra realidade, talvez, nas nuvens. Estão bem distantes de cortes, porque quem vive na Corte(reinado), não sabe o que é um corte! Corte(reinado) e corte não se combinam. Para se viver na Corte é necessário cortar os direitos dos pobres. Aos ricos nada falta. Já os pobres tudo suportam, inclusive, o dever de manter o luxo nas tantas Cortes.
Quem sabe, o Pacote se encha de novas iniciativas, compatíveis com o tamanho das necessidades do povo, respeitando o sagrado direito à remuneração digna, à Previdência, à Saúde e à Educação, que não podem sofrer cortes.
Todo o luxo , toda a mordomia podem ser objetos de corte, mas a Saúde, a moradia, a educação e a previdência social são direitos Sagrados.
Os efeitos deste pacote serão para dois mil e vinte e cinco, dois mil e vinte e seus impactos, com possibilidades de alcance real apenas na próxima década. O Brasil precisa fazer a lição de casa, adequando possibilidades às necessidades e estas à vontade política de conjugar desenvolvimento econômico e desenvolvimento social, fazendo os cortes nos devidos “nós”, que causam estrangulamento aos pobres e certa folga à garganta dos mais abonados.
Por tudo isso, percebe-se que o pacote do governo federal é vazio, sem grandes perspectivas, sobretudo no que atinge às exigências do mercado. Uma pedra no sapato é a proposta de tributar em dez por cento as remunerações que ultrapassam os cinquenta mil… Pode ser que algum Senador, ou Deputado Federal, que, por ventura, receba mais do que isso, não esteja afeito a aprovar o vazio do pacote.
Até aqui, o pacote é vazio, pequeno e contraditório. Um governo, que se diz afeito às políticas públicas, não pode retirar verbas da Educação e da Saúde. Isso é inconcebível!
Também, tem o ingente dever de se harmonizar com o mercado, sob pena de fracassar.
Essa é a nossa opinião
(Veiculado no “Cultura Noticias” do dia 06 de dezembro de 2024)
Foto: Agência Brasil